Quer uma carona?

O aumento do número de pessoas circulando nos espaços urbanos compromete a mobilidade nas cidades e, dado seu elevado impacto no cotidiano, é considerado um dos temas primordiais para a aquisição de melhoria na qualidade de vida no Brasil e no resto do mundo.

O aumento do número de pessoas circulando nos espaços urbanos compromete a mobilidade nas cidades e, dado seu elevado impacto no cotidiano, é considerado um dos temas primordiais para a aquisição de melhoria na qualidade de vida no Brasil e no resto do mundo.

As dificuldades do “ir e vir” e da circulação dentro dos centros urbanos são ocasionadas por diferentes fatores, como o aumento do número de automóveis e a não existência ou aplicabilidade de políticas públicas que contemplem transportes coletivos adequados. Como consequência, o que vemos é a intensificação do tráfego, que acarreta uma imensa perturbação na vida do cidadão, obrigado a passar horas no trânsito, sujeito a irritabilidade, insônia, dores lombares, no pescoço, ombros, entre outros.

Apenas este ano, foram registrados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) 833.471 veículos em Campinas. Este crescimento implica na necessidade de reorganizar os espaços urbanos para garantir fluidez do trânsito, bem como encontrar alternativas de transportes seguros e saudáveis. Outro fator decorrente do crescimento da frota é o maior registro de acidentes. Segundo dados do DPVAT (Seguro do Trânsito – Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), em 2012 ocorreram 60,7 mil mortes e 352 mil casos de invalidez . O usuário do transporte público em uma metrópole leva, no mínimo, 30 minutos no deslocamento do trabalho para casa, tempo que pode ser maior dependendo da localidade e compromete sua saúde devido às adversidades provocadas pela falta de mobilidade. Outro dado interessante é que Campinas ocupa a terceira posição no Brasil em número de habitantes por ônibus – 126,73 – segundo dados da Macropan 2012, o que sugere um número adequado para transporte coletivo. No entanto, as reivindicações apontadas no relatório do município para a Conferência das Cidades de 2013 reforçam o esforço da revisão do sistema, com a criação de corredores, planejamento do entorno de estações e interligação de diferentes tipos de transporte. É fundamental que o processo de reformulação e construção das melhorias de mobilidade e acessibilidade passe pelos governos locais com a participação da comunidade e apoio das instituições de ensino. Neste sentido, a Conferências das Cidades ajuda a possibilitar a criação de espaços que estimulam o diálogo entre as partes.

Imagine que nossos dias poderiam ser ampliados em número de horas – fato que possibilitaria a prática de exercícios físicos, alimentar-se sem pressa, maior tempo para estudar e outras atividades. Em vez disso, desperdiçamos horas parados em deslocamentos.

Com o objetivo de encontrar alternativas viáveis, a Faculdade Jaguariúna (FAJ) tem desenvolvido, através do Projeto de Mobilidade e Acessibilidade Sustentáveis em Saúde Urbana (MASSUr), pesquisas para identificar necessidades da população em relação à mobilidade, bem como a de seus estudantes, com o intuito de colaborar com políticas que ampliem a qualidade de vida. Para isso, ela trabalha com um grupo multidisciplinar de professores, alunos e colaboradores.

Como um dos resultados concretos da iniciativa foi produzido o “Guia Básico de Iniciativas para o Desenvolvimento de Transportes Saudáveis e Sustentáveis no Brasil” (Editora Letra Capital), que visa informar a população sobre opções de transportes saudáveis e sustentáveis que são utilizados.

Realizou-se, paralelamente, uma pesquisa para identificar os meios de transporte utilizados pelos alunos e profissionais das Faculdades de Jaguariúna e Max Planck, de Indaiatuba. O questionário forneceu subsídios para a identificação das necessidades do entorno, possibilitando a busca por soluções para os problemas. A pesquisa mostrou que mais de 50% dos estudantes e profissionais das instituições utilizam veículo particular para se locomover. Para melhorar o ir e vir dos alunos e funcionários, foi realizada uma parceria com o “Caronetas” (caronetas.com.br), um sistema que incentiva o hábito da carona. O projeto MASSUr corrobora a ideia de que, para o processo de desenvolvimento da mobilidade e acessibilidade saudável, é necessário planejamento urbano com enfoque na participação da comunidade, ação intersetorial e a formação de capital humano com a utilização das redes sociais. O cidadão deve inteirar-se dos seus direitos, replicar as experiências, criar espaços para diálogos e buscar alternativas, que devem ser estimuladas pelo poder público.

fonte: RAC