Educação sociocultural ganha espaço na graduação

Educação sociocultural ganha espaço na graduação

Com ações que unem cursos de ensino superior a projetos sociais, instituição paulista promove metodologia que expande a formação acadêmica e favorece a comunidade

A agilidade das transformações tecnológicas, digitais e biológicas que vivemos atualmente tem pressionado os cursos de graduação a oferecer, cada vez mais, um currículo que fuja do mero tecnicismo. Para responder a esse cenário, instituições de ensino superior de ponta passaram a adotar metodologias pautadas na educação sociocultural, que procuram unir os conteúdos teóricos a projetos práticos em benefício das comunidades.
A educação sociocultural atingiu escala mundial por meio do Programa de Ação Global para Educação para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e vem ganhando espaço no ensino superior. Nos cursos do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), no interior de São Paulo, essa educação se traduz com projetos criados para atender a moradores da região com serviços nas áreas de saúde, habitação e prática jurídica, dentre outras.
“Nós nos esforçamos para colocar no mercado de trabalho um profissional que não seja apenas o técnico, mas que consiga também demonstrar competências para o convívio em sociedade”, explica Maria Cristina Traldi, pró-reitora acadêmica da instituição. A educadora participou, no dia 13 de julho, de um debate ao vivo no Facebook do Estadão, que contou ainda com a presença de Flávio Fernandes Pacetta, diretor da UniFAJ, e Flaviana Machado Tannus, psicanalista e curadora do Programa Sociocultural Educativo (TOM), que oferece aos alunos dessa instituição a possibilidade de atuar em projetos sociais e culturais.
Por meio do TOM, explica Flaviana, os alunos fazem atividades monitoradas de atendimento, que incluem desde a criação de modelos de moradia mais sustentáveis para pessoas de baixa renda até o atendimento clínico de fisioterapia junto ao sistema público de saúde da cidade, passando pela produção de medicamentos fitoterápicos distribuídos à população, dentre outras práticas.
A inclusão de atividades voltadas à comunidade esteve presente na criação do centro universitário e hoje faz parte do currículo dos mais de vinte cursos de graduação ofertados. “Em nosso estudo bianual de impacto sociocultural, identificamos o reflexo direto e indireto dessas ações para a sociedade, e percebemos também o impacto para nossos alunos, pois quando eles passam por esse tipo de processo educacional são capazes de integrar os estudos à prática”, aponta o diretor, Flávio Pacetta.

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Ações na pandemia
As ações em parceria com projetos sociais e culturais do programa TOM ganharam diferentes nuances com a chegada do novo coronavírus e o agravamento da pandemia. Segundo Flávio, foi necessário exacerbar e converter ações para atender às demandas crescentes por álcool em gel, materiais descartáveis e equipamentos de proteção individual, como máscaras e aventais. Por meio de uma ação orquestrada pela Escola de Negócios da UniFAJ, as produções puderam amparar asilos e outras instituições da região, colocando a visão de educação integral em prática para o benefício do aluno e da sociedade.

Ainda de acordo com o diretor, além de criar condições para que os estudantes pudessem contribuir com essas necessidades urgentes, o projeto sociocultural também vem criando bases emocionais para que os estudantes possam ter mais adaptação, resiliência, criatividade, autogerenciamento e flexibilidade. “O educar se dá por meio do despertar dessas competências, dentro de um espaço físico ou virtual, onde o aluno possa se sentir provocado não apenas a responder, mas a criar novas perguntas”.

Demandas de mercado
Na UniFAJ e em outras instituições que incorporam a educação sociocultural em seu currículo, como o Centro Universitário Max Planck e o EaD da UniFAJ, a abordagem é tida como uma das respostas do ensino superior às recentes mudanças de perfil profissional requeridas pelo mercado de trabalho, podendo contribuir para formar pessoas com uma postura mais reflexiva e capaz de se adaptar a cenários inesperados.
Segundo Maria Cristina Traldi, até pouco tempo, a formação superior tinha como base apenas os conteúdos acadêmicos, considerando sua aplicabilidade direta em um mercado de trabalho relativamente previsível. “Esse mercado não existe mais”, pondera. Para a educadora, a sociedade em constante transformação exige um trabalho de reflexão envolvendo esses temas, para que os alunos – e futuros profissionais – saibam se adaptar aos novos tempos.
A pró-reitora acadêmica destaca ainda que as atividades de educação sociocultural atreladas ao currículo da graduação ainda não são comuns nas faculdades do País, mas podem contribuir para lançar no mercado de trabalho profissionais mais engajados. “Precisamos formar o cidadão, que também é o profissional”, completa.