Jovens exigem mais das empresas

As mesmas inquietações que são vistas hoje nas ruas estão invadindo as empresas. Pelos mesmos atores. Os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho querem ser ouvidos, exigem mais reciprocidade e têm pressa para melhorar de vida na empresa. Muitas vezes batem de frente com a hierarquia na busca por suas ambições. “A geração que está chegando está conectada e traz as redes sociais para dentro das organizações”, diz Ruy Shiozawa, diretor de Relações Empresariais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e da consultoria Great Place to Work.

E, como tudo na vida, esse movimento tem aspectos positivos e negativos. Para Shiozawa, a geração que está entrando agora no mercado de trabalho está trazendo mais velocidade, agilidade e flexibilidade, no ritmo da internet. “Agilidade é uma palavra importante hoje”, diz, lembrando que ao abrir espaço em cada processo dentro da empresa, ela desloca a burocracia.

O lado negativo é que esses jovens têm pressa demais, exigem rapidez nas promoções, sem necessariamente corresponder em termos de produção e méritos. Esse movimento complica a vida dos gestores no cenário macroeconômico atual que, com índices de desemprego muito baixos e demanda alta por profissionais de todos os naipes, estimula os pedidos de demissão. Ao não verem atendidas suas expectativas no tempo que acham adequado, os jovens simplesmente deixam a empresa.

Posturas desafiadoras que beiram a arrogância são cada vez mais comuns entre jovens e os mais velhos, diz Silvia Zwi, diretora de RH estratégico da CPFL Energia. “As novas gerações têm tanta clareza do que querem que acabam tendo pouca cautela, resvalando para o ‘tudo pode’, confrontam e ultrapassam os limites.” O resultado do confronto de gerações se vê na rotatividade elevada e o número de faixas geracionais trabalhando na organização, hoje praticamente o dobro do que era há 20, 30 anos. Pessoas de 30 anos são chamadas a liderar equipes que têm desde trainees até quarentões, cinquentões e gente que está próxima da aposentadoria aos 60 ou 65 anos.

Marcelo Cuellar, sócio da Michael Page, empresa especializada em recrutamento de executivos, diz que a contestação não é uma novidade trazida pela juventude. “Todo mundo é mais questionador hoje que alguns anos atrás.” Segundo ele, ninguém sabe direito como lidar com a situação.

Adriana Chaves, diretora de desenvolvimento e sócia do Grupo DMRH, relata que 95% das empresas clientes têm problema com o alinhamento de expectativas entre as várias gerações que convivem nelas. “A melhor forma de lidar tem sido o diálogo”, diz.

Segundo Ruy Shiozawa, o aumento de faixas etárias nas empresas traz uma maior “complexidade” no momento de conceder benefícios. Um plano de aposentadoria pode ser excelente para um profissional na faixa de 35 a 40 anos, mas não interessar muito um jovem de 20 anos. As empresas mais bem estruturadas estão encontrando saída na atribuição de pontos aos seus funcionários, permitindo que eles resgatem em benefícios, de acordo com suas necessidades ou prioridades.

Mas se de um lado eles têm afrontado a hierarquia, de outro os mais jovens têm trazido grande contribuição à CPFL, principalmente na área de inovação, diz Silvia Zwi. A concessionária tem se armado para atender as expectativas de seus jovens colaboradores, ao mesmo tempo implementando o sistema de monitoria que valoriza o trabalho, a experiência e os conhecimentos dos mais antigos. “Oferecemos oportunidades de aprendizagem, bolsas de estudos para MBA locais e internacionais e bonificações para reter os talentos”, diz Silvia. Ela acredita que a transparência sobre a agenda de crescimento da companhia e as possibilidades abertas em termos de carreira podem satisfazer a principal demanda dos jovens que é, segundo ela, aprendizagem.

Essa é também a linha de atuação da divisão de RH da Embraer cuja gestão de pessoal tem buscado harmonizar as diferentes expectativas com papéis diferenciados, oferecendo ascensão na carreira a partir de conhecimento técnico obtido por meio de treinamentos internos e externos. “Os colaboradores passam por algum tipo de treinamento todo ano e o reaproveitamento interno do pessoal é alto. Essa mobilidade horizontal é especialmente valorizada entre os mais jovens”, diz a assessoria de imprensa da empresa.

Fonte: Valor Econômico

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